quarta-feira, 21 de julho de 2010

A VIDA COM UM PRISMA NOVO


Faz quase um mês que João Victor ganhou seu primeiro carro. Menino de sorte. Os pais chegaram à casa dos 40 andando de transporte público e ele, com pouco mais de 2 anos, já tem automóvel próprio. Menino abençoado ele é.

Na compra, ficamos isentos de IPI e, no licenciamento, fomos dispensados de pagar IPVA. São isenções garantidas em lei para portadores de síndrome de Down.

Até chegar o momento trazer o carro para casa, tivemos de superar vários entraves burocráticos. Começamos pelo Detran, passamos pela Receita Federal, Estadual, depois a desinformação das concessionárias e, por fim, a falta de bom senso dos bancos, querendo uma procuração de João Victor me autorizando comprar o carro no nome dele. Isso porque, além da exigência da Receita Federal, fizemos questão de registrar o veículo no nome dele.

Agora vai ficar mais fácil garantir o tratamento dele na APAE, que muitas vezes faltamos por falta de transporte. Por Valéria ainda não se aventurar a dirigir na BR, ainda necessitamos pagar um motorista para cada viagem ao Recife, mas, logo que ela pegue prática, a motorista será a mãe e teremos um gasto a menos. O pai, ah, o pai. Esse ainda tem de ir para auto escola. E João Victor? Ele se desmancha em sorrisos quando o colocamos na sua cadeirinha, cuidadosamente instalada no banco traseiro, e parece que não ver a hora de crescer para também dirigir.

Aí, eu não posso deixar de agradecer a Deus e ver com as podem mudar na nossa vida. Não Faz um ano que eu não tinha dinheiro nem para ir ao Recife, muitas vezes pegava carona, as mais inusitadas e, agora, agora, as coisas estão muito melhores.

A vida tem muito a nos ensinar.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

AS COISAS SIMPLES DA VIDA



Acompanhar o desenvolvimento de João Victor tem sido uma grande alegria para mim e Valéria. Cada centímetro que ele ganha na altura, cada sílaba nova que ele pronuncia é motivo de festa aqui em casa. O post anterior falava justamente da felicidade dos primeiros passos que ele ensaiou.

De um mês pra cá ele tem feito muitos progressos. Já consegue se erguer e sentar com relativa segurança, já atende quando lhe chamamos pelo nome e se alguém pronunciar a palavra beijo, ele leva a mão à boca, dá um estalo na palma da mão e, com um sorriso traquino, a estende na direção de quem lhe pediu o ósculo.

A última dele, uma cena impagável. Vez por outra ele finge chorar, só pra fazer charminho. A gente, sabendo que é uma brincadeira, fica só olhando. Quando ele descobre que percebemos o engodo, ai, não dá outra: gargalhada geral. Uma dessas, Valéria conseguiu flagrar e vocês podem assistir agora.


Muito do progresso motor e cognitivo de João Victor devemos ao trabalho do pessoal da APAE. Desde março ele vai duas vezes por semana à APAE, no Recife, para fazer sessões de fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional. Infelizmente fomos forçados a suspender temporariamente o tratamento enquanto a Prefeitura de Goiana resolve o problema do transporte, cancelado de repente e sem qualquer explicação formal às famílias assistidas. Mas disso falarei noutra hora. Bom mesmo é expressar a alegria de ver meu filho crescer. Aquela coisinha pequena que, aos 8 meses de vida, era tão hipotônico (molinho) ao ponto de, hora do banho, precisavar de auxilio para se manter sentado na banheira. Agora, põe-se de pé para regar as plantas do nosso futuro jardim.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O MENINO ANDEJO

Eu estava nos corredores do fórum, levando um pilha de processos ao setor de distribuição, quando o telefone tocou. Era Valéria, eufórica, dando a boa nova: “João Victor tá andando!” Depois explicou que Sheila o tinha deixado sentado, na sala, e foi fazer algo na cozinha. Quando menos esperva, percebeu que aquela coisinha miúda aproximava-se dela, andando, de braços abertos para ajudar no equilíbrio. Parecia um pingüim desfilando na neve.

Amanhã (15/04/2008) ele completa dois anos. Já estávamos descrentes de que ele andaria antes dos dois anos, um pouco frustrados mesmo. Mas, assim, sem avisar, ele nos dar esse presente, dois dias antes do seu aniversário: resolve andar. Interessante que na ultima sessão de fisioterapia na APAE as fisioterapeutas advertiram Valéria que João Victor á tinha potencial para andar, que os pais deviam perder o medo e deixá-lo correr o risco de cair, que o problema dele era a super proteção dos pais.

Amanhã, elas terão uma ótima surpresa.

O problema é que, agora, a atenção terá de ser redobrada. Buliçoso como ele é, precisamos ficar atentos para evitar acidentes. A cozinha será interditada, uma tolha foi colocada sobre o tampo de vidro da mesa de jantar, porta do banheiro sempre fechada, ufa... a lista de cuidados é infinita, mas como é bom ter esse tipo de preocupação.

Seu andar é trôpego, como o de toda criança aprendendo andar, mas ele já quer correr. Aí, quando ele resolver sair em disparada pela casa, meu coração palpita de medo de vê-lo se esborrachar no chão. Mas ele não ta nem ai, está adorando ver o mundo por outro ângulo.

Então, anda, meu filho, corre mundo afora.
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