quinta-feira, 6 de agosto de 2009

RETORNO A SÃO PAULO


O HCor confirmou hoje a data da internação de João Victor para realizar a cirurgia de correção do DSAV e da tetralogia de Fallot. Será dia 8 de setembro próximo.

Confesso que fui pego de surpresa. Esperava esse agendamento para outubro ou novembro. Pensei até em pedir um adiamento, mas Valéria me convenceu que era melhor a gente ir agora mesmo porque, entre outras coisas, se tem tanta gente que leva meses para conseguir um reles exame no SUS, a gente não pode querer que um hospital de referência como o HCor atenda totalmente às nossas conveniências.

A cárdio que acompanha ele aqui no Recife gostou da notícia de que João Victor seria operado agora em setembro. Segundo ela, ele não está numa situação de emergência, está bem clinicamente e em condições de ser cirurgiado, então não tem porque retardar o que já pode ser feito.

Será um corre-corre danado nos prepatativos para viagem, inclusive financeiramente, mas, nem de longe, se assemelhará a situação vivida no final do ano passado, quando a gente teve de aprontar tudo num prazo de 8 dias.

Os medos existem, mas temos confiança na equipe que vai cuidar dele e fé em Deus, que ajudará nosso guerreiro a vencer mais uma luta.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

SINAL VERDE

Quarta-feira (22/07) foi dia da consulta de João Victor com a cardiologista. Na ante-sala do consultório ela avisou-nos: “Hoje encaminho ele! Vamos ligar pra Bento e acertar tudo”. Prometido é feito.

Assim que entramos, depois de elogiar o estado clinico de João Victor e confirmar sua decisão de liberá-lo para cirurgia, ela pegou o telefone e ligou para o HCor para falar com o cirurgião, Dr Bento. Como ele estava fora, ela passou o serviço para a secretária dele e nos deixou a cargo de cumprir as formalidades necessárias para o internamento e marcação da cirurgia.

Devido a duas panes, uma em mim e outra na Internet, só no sábado à tarde (25/07) mandei o e-mail que deflagrou, oficialmente, o processo de marcação da cirurgia, que, acredito será em outubro ou novembro próximo, ou antes, espero que não depois.

Eu e Valéria recebemos a decisão da cárdio quase como quem leva um soco no estômago. Quase, porque já prevíamos que nessa consulta teríamos uma conversa definitiva sobre o momento melhor para a cirurgia de correção total, mas não pensávamos que esse momento era chegado.

Mas essa hora haveria de chegar. Ele precisa passar por essa cirurgia, é um caminho que precisamos percorrer, mais cedo ou mais tarde.

Quando eu era criança, morávamos numa rua isolada, que eu achava que fosse o quintal da cidade porque não tinha calçamento, só areia. A Rua do Campo, exprimida entre a Rua nova e o matagal do Sítio Tapuí era onde eu morava. Quase toda noite eu ia pra Rua Nova, era mais movimentada. Ia lá geralmente ver TV ou brincar. Quando voltava, meu tormento era passar no beco que ligava a as duas ruas. Era curto, uns 50 ou 60 metros, porém muito escuro, terrivelmente escuro terrível, sentia calafrios só em pensar na travessia. Mas sempre atravessava, nada me fazia recuar na hora de ir porque eu sabia que vencido o escuro eu estaria seguro. Quando tinha lua eu passava correndo, quando não, ia devagar para não tropeçar, mas sempre atravessava o beco do campo. Era a única forma de chegar em casa e eu queria e precisava chegar em casa, todas as noites.

João Victor precisa fazer essa cirurgia. É o único meio de corrigir os defeitos congênitos do seu coração, de garantir oxigênio de excelente qualidade circulando no seu corpo e, também, tirar de nós essa angústia da espera pra ver tudo resolvido.

Se não há outro meio para alcançar a tranqüilidade e segurança a que a vida dele precisa, é preciso ter coragem e atravessar esse beco escuro. Muito escuro e incerto, mas necessário.
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terça-feira, 21 de julho de 2009

DIVERSIFICANDO O CARDÁPIO



Semana passada fomos com João Victor à gastro-pediatra. Foi lá no IMIP. Valéria hesitou em ir lá até o último momento. Não era pra menos. Ali ela viveu um dos piores momento de sua vida. João Victor nem tinha completado 2 meses e foi levado, às pressas, àquele hospital numa noite de quinta-feira, véspera de feriado. Foi terrível, ela passou a noite toda numa cadeira na emergência, com nosso filho tendo crises de hipoxia sucessivas e sem receber atendimento adequado.

Mas dessa vez, estávamos mais confortáveis. Fomos lá para reavaliar o estado da intolerância dele a lactose. Desde setembro, ele alimenta-se, basicamente de um “leite” holandês, caríssimo. Na verdade é uma fórmula alimentar a base de soja chamada alfaré e cada lata, de apenas 400g, custa em média R$ 200,00. Ele consume 10 latinhas dessa iguaria por mês, que, graças a Deus e a nossa amiga Andréa, é fornecida pela municipalidade.

O atendimento foi tranqüilo. Passamos o histórico clínico dele com destaque para os problemas gastro-intestinais, que incluem constipação das fezes e umas pedrinhas na vesícula.

Sobre a vesícula, a gastro quer acompanhar com ultra-som, a cada seis meses. Sobre a prisão de ventre, receitou óleo mineral e manter a dieta de frutas “laxativas”. Ela recomendou a introdução de derivados de trigo (o terrível glúten!), mel e geléia. Os olhos de Valéria brilhavam enquanto a pediatra enumerava essas guloseimas, tão adoradas por ela e que nosso filho agora poderá degustar. O alfaré ela decidiu manter por mais três meses. Em setembro voltaremos a ela para uma série de testes com leite de vaca. Se ele não tiver nenhuma reação alérgica, dará uma economia mensal de R$ 2.000,00 à municipalidade e poderá entrar no mundo maravilhoso do leite e seus derivados. Com Parcimônia, para não engordar demasiadamente.

Por enquanto, além das sopinhas de carnes com verduras, feijão verde e arroz, e, claro, o alfaré, ele terá essas opções gustativas sugeridas pela gastro. Eu ofereço as novidades com cautela, temendo reações, mas, até agora, tudo segue tranqüilo.
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