sexta-feira, 21 de maio de 2010

AS COISAS SIMPLES DA VIDA



Acompanhar o desenvolvimento de João Victor tem sido uma grande alegria para mim e Valéria. Cada centímetro que ele ganha na altura, cada sílaba nova que ele pronuncia é motivo de festa aqui em casa. O post anterior falava justamente da felicidade dos primeiros passos que ele ensaiou.

De um mês pra cá ele tem feito muitos progressos. Já consegue se erguer e sentar com relativa segurança, já atende quando lhe chamamos pelo nome e se alguém pronunciar a palavra beijo, ele leva a mão à boca, dá um estalo na palma da mão e, com um sorriso traquino, a estende na direção de quem lhe pediu o ósculo.

A última dele, uma cena impagável. Vez por outra ele finge chorar, só pra fazer charminho. A gente, sabendo que é uma brincadeira, fica só olhando. Quando ele descobre que percebemos o engodo, ai, não dá outra: gargalhada geral. Uma dessas, Valéria conseguiu flagrar e vocês podem assistir agora.


Muito do progresso motor e cognitivo de João Victor devemos ao trabalho do pessoal da APAE. Desde março ele vai duas vezes por semana à APAE, no Recife, para fazer sessões de fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional. Infelizmente fomos forçados a suspender temporariamente o tratamento enquanto a Prefeitura de Goiana resolve o problema do transporte, cancelado de repente e sem qualquer explicação formal às famílias assistidas. Mas disso falarei noutra hora. Bom mesmo é expressar a alegria de ver meu filho crescer. Aquela coisinha pequena que, aos 8 meses de vida, era tão hipotônico (molinho) ao ponto de, hora do banho, precisavar de auxilio para se manter sentado na banheira. Agora, põe-se de pé para regar as plantas do nosso futuro jardim.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O MENINO ANDEJO

Eu estava nos corredores do fórum, levando um pilha de processos ao setor de distribuição, quando o telefone tocou. Era Valéria, eufórica, dando a boa nova: “João Victor tá andando!” Depois explicou que Sheila o tinha deixado sentado, na sala, e foi fazer algo na cozinha. Quando menos esperva, percebeu que aquela coisinha miúda aproximava-se dela, andando, de braços abertos para ajudar no equilíbrio. Parecia um pingüim desfilando na neve.

Amanhã (15/04/2008) ele completa dois anos. Já estávamos descrentes de que ele andaria antes dos dois anos, um pouco frustrados mesmo. Mas, assim, sem avisar, ele nos dar esse presente, dois dias antes do seu aniversário: resolve andar. Interessante que na ultima sessão de fisioterapia na APAE as fisioterapeutas advertiram Valéria que João Victor á tinha potencial para andar, que os pais deviam perder o medo e deixá-lo correr o risco de cair, que o problema dele era a super proteção dos pais.

Amanhã, elas terão uma ótima surpresa.

O problema é que, agora, a atenção terá de ser redobrada. Buliçoso como ele é, precisamos ficar atentos para evitar acidentes. A cozinha será interditada, uma tolha foi colocada sobre o tampo de vidro da mesa de jantar, porta do banheiro sempre fechada, ufa... a lista de cuidados é infinita, mas como é bom ter esse tipo de preocupação.

Seu andar é trôpego, como o de toda criança aprendendo andar, mas ele já quer correr. Aí, quando ele resolver sair em disparada pela casa, meu coração palpita de medo de vê-lo se esborrachar no chão. Mas ele não ta nem ai, está adorando ver o mundo por outro ângulo.

Então, anda, meu filho, corre mundo afora.
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sexta-feira, 12 de março de 2010

TEMPO, TEMPO, TEMPO: NUMAS HORAS DE MAIS, NOUTRAS, DE MENOS




Não faz muito que eu que me angustiava por meu status de desempregado. Acordar e não precisar sair de casa, sentir-se pesado aos outros deixa qualquer um triste,não dá pra ser feliz, como dizia a canção, pois a vida do homem é seu trabalho. Eu trabalhava muito em casa, mas não tinha emprego.

Agora tento me acostumar ao tempo e às responsabilidades de um trabalho “normal”, rotineiro.

A quem está estudando pra fazer concurso público achando que funcionário público não trabalha, aconselho seguir outro caminho, porque a coisa não é bem assim. Funcionário público trabalha, e não é pouco. No meu caso particular, um servidor do judiciário estadual, tenho que dá contar de muito serviço sob pressão de todos os lados. Eu e meus colegas somos pontas de lança da “cruzada modernizadora” do judiciário brasileiro encampada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). São as famosas metas 2, 3 , 4 e muitas outras que ainda estão por vir, todas elas com o fito de eliminar o problema crônico da Justiça brasileira: a morosidade.

No jogo das metas, a pressão é verticalizada, partindo do ponto mais alto ao mais baixo da cadeia do sistema... você pode imaginar o resultado.

Mas, não renego a estratégia de adoção de metas. Creio que o melhor delas seja o fato de criar uma cultura de gestão da justiça, coisa que dantes não se pensava. Acredito que, depois de arrumada a casa, despenderemos menos energia e obteremos maiores e melhores resultados com o trabalho realizado.

Mas, até chegar lá, tem sido duro. O trabalho é pesado e estressante. As cobranças vêm de todos os lados, ao mesmo tempo, cobram respostas imediatas. Tem dias que chego em casa e não consigo fechar os olhos, eles faíscam de tanta tensão.

Minha sorte é que Deus me deu João Victor. Seu abraço, seu sorriso de boas vindas, sua alegria ao vir ao meu encontro são os melhores lenitivos ao estresse. E mesmo nos momentos de maior tensão-pressão, quando imagino que não vou dar conta, lembro da luta que vivemos e vencemos e, aí, penso : “ah! Isso é fichinha. Quem passou por onde passamos não encontra mal que não possa vencer.” Essa certeza me fortalece, todo tempo.
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