quinta-feira, 20 de agosto de 2009

ADEUS, THI, NOSSO PEQUENO VALENTE


Estamos tristes, profundamente tristes.

Perdemos o Thi.

Ele lutou bravamente pela vida, por mais de 3 anos.

Tanto sofrimento, tanta dor...

Agora ele dorme em paz, nos braços do Pai Celeste.

Antes de ir, ele salvou muitas vidas, como a do nosso filho. Graças ao Thi, Márcia Adriana envolveu-se , de corpo e alma, no auxílio às crianças cardiopatas e suas famílias. Graças a ela, conseguimos o tratamento de João Victor no HCor e também a infra-estrutura para o que o pai pudesse acompanhá-lo durante aquela longa internação em São Paulo.

Foi nessa época que conhecemos pessoalmente Márcia e família. Eles tinham vindo a São Paulo para fazer uns exames do Thi e participar da festa do cardiopata. Na festa, vimos o Thi vestido de Homem Aranha montado na sua famosa motinha. Foi um domingo de dezembro de 2008. Eu e Valéria chegamos ao local da festa como que tangidos pelo vento. Passávamos o pior momento da internação de João Victor. Ele estava na UTI, em estado crítico. Mas, ver o Thi sorrindo, pedalando sua motinha, foi como se um bálsamo suave banhasse nossas almas. Nunca esqueceremos daquela imagem.

Agora, na correria com os preparativos para a volta de João Victor ao HCor, não tivemos condições, sobre tudo psicológicas, de ficar mais juntos da família do Thi. Ajudamos timidamente com nossas orações e mandando pessoas (anjos) cuidar deles em nosso lugar. Pensávamos em encontrá-los ai em São Paulo, mas Deus não permitiu. Preferiu encerrar logo o sofrimento do nosso Pequeno Valente.

Compreendemos e somos solidários com a dor de Paulo e Adriana e acreditos que esse nosso sentimento é compartilhado por quase uma centena de mães e pais de crianças cardiopatas que tiveram o privilégio de conhecer essa família.

Que Deus nos conforte nesta hora de dor.
.
.
.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

FALTAM VACINAS NO BRASIL


Enquanto a mídia faz esse estardalhaço todo com a possibilidade do Brasil começar a produzir a vacina contra a gripe suína (H1N1) em outrubro, ninguém fala do caos do PNI (Plano Nacional de Imunização), setor do Ministério da Saúde que cuida da aquisição e distribuição de vacinas no país.

Eu estou há mais de um mês tentando vacinar João Victor contra pneumonia e não consigo simplesmente porque os burocratas do Ministério da Saúde atrasaram, igual ao ano passado, a compra das vacinas no exterior. Essa vacina, que eles classificam como “especial”, não é disponibilizada nos postos de saúde, nem é aplicada em toda a população infantil. Aqui em Pernambuco, pelo que sei, só tem no Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), no Hospital Osvaldo Cruz do Recife e só tem acesso a ela os pacientes com baixa imunidade, como é o caso de João Victor. Por ter síndrome de Down e a cardiopatia congênita, ele recebe a antipneumo, a antimeningite, entre outras, na no CRIE. Mas a coisa mais difícil do mundo é conseguir essas vacinas no tempo certo, estão sempre em falta. E pouca gente se importa.

Eu me importo, porque não quero deixar João Victor vulnerável a mais doenças. Já bastam as que ele tem. Por isso, estou botando a boca no trombone. Fiz denúncia ao Ministério Público Federal, mandei e-mail para o Senado e ligo, quase toda semana para a o PNI. Ao MPF peço que o Governo pague para vacinar meu filho na rede privada de saúde e, também, todas as crianças cadastradas no CRIE, ao Senado pedi que façam audiência pública porque os atrasos na aquisição e distribuição de vacinas é um rotina no Ministério da Saúde.

Eu estou cheio de coisas para resolver até o dia do embarque para São Paulo e, ainda por cima, tenho que me preocupar com vacina. É um absurdo! João Victor fará uma cirurgia de alta complexidade e estará exposto a tudo dentro do hospital. Criar uma barreira contra a pneumonia é importante no caso dele e só podemos fazer isso até 15 dias antes da internação no HCor.

Eu, assim como a maioria das pessoas conscientes, espero que a vacina da gripe suína seja logo colocada à nossa disposição, de preferência para ontem, por um muito simples: como cardiopata, meu filho faz parte do grupo de risco do H1N1. Com gripe comum ele sofreu tanto que precisei correr a um pronto-socorro de madrugada... nem quero imaginar a situação que teria lidar no caso dele contrair essa nova gripe, principalmente no sistema de saúde caótico que temos.

Podem me acusar de realista extremado, mas um Governo que não consegue oferecer com regularidade uma lista de vacinas de rotina para crianças especiais, dificilmente conseguirá “blindar” a população do país contra o vírus H1N1, infelizmente.

Meu recado ao Ministério da Saúde é que façam logo a vacina contra a gripe suína, mas, por favor, providencie as outras vacinas.
.
.
.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

RETORNO A SÃO PAULO


O HCor confirmou hoje a data da internação de João Victor para realizar a cirurgia de correção do DSAV e da tetralogia de Fallot. Será dia 8 de setembro próximo.

Confesso que fui pego de surpresa. Esperava esse agendamento para outubro ou novembro. Pensei até em pedir um adiamento, mas Valéria me convenceu que era melhor a gente ir agora mesmo porque, entre outras coisas, se tem tanta gente que leva meses para conseguir um reles exame no SUS, a gente não pode querer que um hospital de referência como o HCor atenda totalmente às nossas conveniências.

A cárdio que acompanha ele aqui no Recife gostou da notícia de que João Victor seria operado agora em setembro. Segundo ela, ele não está numa situação de emergência, está bem clinicamente e em condições de ser cirurgiado, então não tem porque retardar o que já pode ser feito.

Será um corre-corre danado nos prepatativos para viagem, inclusive financeiramente, mas, nem de longe, se assemelhará a situação vivida no final do ano passado, quando a gente teve de aprontar tudo num prazo de 8 dias.

Os medos existem, mas temos confiança na equipe que vai cuidar dele e fé em Deus, que ajudará nosso guerreiro a vencer mais uma luta.
.
.
.