quinta-feira, 26 de março de 2009

ESSE SORRISO ILUMINA NOSSO MUNDO


As coisas voltaram à normalidade. Já nos refizemos do susto. A gripe de João Victor está indo embora. Só uma tosse esporádica e a falta de apetite persistem. Fora isso, está ótimo. Já voltou a agarrar e sacudir os objetos que passam perto de suas mãos, em especial os imãs da geladeira e a plaqueta do quarto dele. Isso nos enche de alegria redobrada, pois, nesse final de semana, ele quase sempre estava quietinho, triste.

Tento dá a ele uma vida normal, igual a toda criança. Mas é muito difícil relaxar sabendo dos transtornos que um simples resfriado provoca nele. Imagine, Deus me livre, uma infecção bacteriana. Daí esse minha paranóia por limpeza que inerva Valéria e inspira as piadas de minha vizinha a meu respeito. Mas, porque vejo como ele se recupera devagar das gripes e como elas costumam ser severas, prefiro agir “preventivamente”, bloqueando a chances da doença chegar em vez da exposição e do contato para ganhar resistência imunológica.

A pediatra que nos atendeu no pronto socorro nos deu uma noticia animadora ao falar que com o passar do tempo ele torna-se mais resistente. Ótimo. Assim ele terá me mim mais oportunidades de ganhar mais anti-corpos.

Agora, vendo ele sorrir, tudo fica mais fácil.
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sexta-feira, 20 de março de 2009

PERDIDOS NA NOITE


O dia não foi fácil, a noite não foi melhor. Tivemos de correr com João Victor para a emergência no Recife, com direito a uma breve escala no Hospital de Goiana.

Ele acordou pouco depois de 1 hora da madrugada. Tossindo muito, chorando e ardendo em febre de quase 39 graus. Tentamos de tudo. Anti-térmico, xarope fitoterápico e inalação. Mas nada surtia efeito. Estávamos indo ao desespero, não tínhamos pra quem apelar. Onde íamos conseguir um carro àquela hora.

Valéria lembrou de Daniel , que tem um táxi e quase sempre nos leva ao Recife por um preço camarada. Mas já passava das 2 horas da madrugada. Seria incomodar demais, entretanto, liguei. Ele atendeu do outro lado, com voz de sono, mas com muita boa vontade.

Em menos de 15 minutos checou aqui em casa. Fomos primeiro ao Hospital Memorial daquei de Goiana. O plantonista, depois de ouvir um resumo da história clínica de João Victor, agiu com muita honestidade ao dizer que o máximo que podia fazer era administrar uma medicação para baixar a febre e nos recomendar procurar um pediatra, preferencialmente a de menino, logo cedo. Depois de medicado, corremos para o Recife feito quatro perdidos no meio da noite. No caminha Valéria alferiu a temperatura dele umas 3 vezes: uma gangorra, um sobe-e-desce danado, variando dos 37,2 aos 38 Cº. Naquela agonia, nem sabíamos ao certo para que hospital iríamos. Escolhi pelo livrinho do plano o pronto socorro infantil Jorge de Medeiros.

Foi nossa sorte. Fomos atendidos de pronto às 4 e 30 da manhã por uma excelente pediatra, muito experiente – Dra. Miriam Silvera, que recomendo. Ela nos tranqüilizou mostrando que, clinicamente, não havia nada que indicasse uma descompensação cardíaca , traduzindo, o coração e o sistema respiratório estavam trabalhando direitinho.

Não precisou internar. Ela percebeu que ele estava bem hidratado, pulmões limpos, vias aéreas descongestionadas. Felizmente estávamos cuidando dele corretamente, dando bastante líquido, fazendo nebulização e seringando salsep nas narinas dele.

No fim das contas, não é nada além dum resfriado pesado que noutra criança não inspiraria maiores cuidados, mas que em João Victor deve ser tratado com a máxima atenção para evitar complicações cárdio-respiratórias, entre outras mais.

Voltamos para casa às 6 horas da manhã com uma solicitação de hemograma, uma receita de anti-térmicos para o caso da febre persistir e o firme propósito de voltar ao Recife a qualquer momento se ele não melhorar no decorrer do dia. Na estrada, depois desse susto, a gente de como João Victor movimenta a vida da gente. Pelo menos, de monotonia ninguém se queixa.
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O PEQUENO PRÍNCIPE E O GIRA-SOL


João Victor está muito gripado. O dia não foi fácil pra Valéria. Eu precisei ir ao Recife buscar uma solução para os pepinos que o plano de saúde nos criou e, para evitar transtornos maiores ou até mesmo colocar em risco a vida do nosso pequeno, estamos preparando uma ação judicial. Mas, quando cheguei em casa, meu coração partiu-se ao ver João Victor tão quietinho nos braços de Valéria. Todo amoquecado, como se diz no Nordeste. A danada da virose pegou ele de jeito.

Valéria também não estava com bom semblante. Podera, desde às 6 da manhã que ela tava naquela lide, tentando minorar a tosse e evitar o choro de João. Ela admirou-se de uma das minhas sacolas. Nela eu trousse uma muda de gira-sol que comprei no Pátio do Carmo, no Recife.

Vai cultivar? – ela perguntou. Disse que sim e que tenho predileção por essa flor porque, na minha infância, havia muitas delas no nosso quintal. Bota na mesa da sala – recomendou ela.

Coloquei o vaso na mesa e, depois de tomar banho, botei João Victor no braço. Tava ardendo em febre. Muita tosse, muito choro, uma impaciência sem tamanho. Discutimos se devíamos procurar um médico. Em Goiana nem pensar. Na gripe que ele teve antes da cirurgia, uma médica daqui passou um xarope que quase matou nosso B. Suspendi o uso depois que li a bula e vi que não era recomendado para menores de 3 anos – e João Victor nem tinha 6 meses! Depois de muita relutância minha – por á tinha dado ASS fazia pouco tempo – demos uma dose de dipirona para ele.

Passou um tempinho e Valéria levantou-se com João Victor. Foi ai que ele viu o gira-sol. Encantou-se. Sorria e se estirava para a flor.

Uma nova fábula nasceu, disse Valéria, a fábula do Pequeno Príncipe e o Gira-sol. Impressionante como o estado dele melhorou quando viu essa planta, concluiu.

É, e você que não acreditava na terapia dos florais, brinquei.

Eu não acreditava na gênética, Váléria replicou. Como é que alguém parece tanto com o pai ? -Continuou ela: até a flor predileta é a mesma. Sorrimos.

A parti de então ele ficou mais animado. A febre cedeu e a tosse ficou mais branda. Vez em quando ainda choramingava, mas aquele estado de prostração, que encontrei ao chegar, sumiu.

Agora dorme em tranqüilo enquanto escrevo esse post velando seu sono. Espero que amanhã você acorde curado, meu filho.
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DE VOLTA (POR UM TEMPO) PARA MINHA TERRA


No carnaval, foi só alegria. Graças a uma doação, compramos as passagens de avião e voamos para Missão Velha, no Ceará. Mamãe não se conteve de alegria quando avisei que ia chegar. Ela, coitada, fazia quase dois anos que não via esse filho que vos escreve e ainda não tivera a oportunidade de ninar seu netinho mais novo. Então, quando avisamos, uns 15 dias antes, que chegaríamos lá no dia 20 de fevereiro e ficaríamos até o fim do mês, ela iniciou a contagem regressiva entusiasmada. Foi mesmo uma bênção ter ganho as passagens. Pagar por elas não podíamos e submeter João Victor a 10 horas de ônibus noturno nesse pós-operatório nem passou por nossa cabeça.

Lá foi só felicidade. João Victor amou todo mundo e foi amado e paparicado por todos. Ganhou logo a cama de mamãe para armar sua tenda, pra dormir como um marajá. Viajou pro Juazeiro onde visitou um shopping. EmBarbalha, conheceu um primo que – pasmem, nem eu sabia - também foi operado de tetralogia de Fallot na infância. Pois é, Thiago, agora com 34 anos, tem uma das cardiopatias de meu B. Hoje leva a vida como se nunca tivesse sido operado. Come e faz de tudo, faz mais de 20 anos que não sabe o que ir ao médico. Da cardiopatia só guarda a cicatriz.

Pena que a semana passou rápido. Mas foi bom demais. Voltamos com as malas cheias de cajuína, piqui, muitas guloseimas e o coração repleto de felicidade em saber que temos uma família que nos ama e está sempre do nosso lado, em qualquer situação.
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segunda-feira, 16 de março de 2009

NÃO VAI DOER NADA



João Victor não nasceu em junho, mas é craque em pular fogueira. Percebi isso no HCor. De lá, guardo dois episódios emblemáticos dessa sua capacidade. Um deles foi quando saiu da UTI e, no quarto, estava demorando a fazer xixi. O problema devia-se ao longo período (14 dias) de uso de sonda urinária. Sem a sonda a, o sistema urinário não queria funcionar. Aí a pediatra resolveu fazer uma punção no canal da uretra, que, basicamente, consiste na introdução de uma mangueirinha por onde sai a urina e, depois, com auxilio de uma seringa, fazer a sucção do canal. Depois disso, garantiu a médica, a ele voltaria a urinar normalmente.

Nós tentamos argumentar que seria melhor esperar um pouco mais para ver se o xixi saia naturalmente e assim evitar a dor do procedimento, mas, depois que a pediatra nos chamou a atenção para o desconforto que ele estava sentindo com a retenção da urina, concordamos que o procedimento fosse feito. Só fiquei ao lado do leito até o momento que a auxiliar de enfermagem chegou com o material e iniciou os preparativos. Não tive coragem de olhar ela enfiando aquela mangueira no pinto do meu filho. Virei as costas e esperei o grito. Aí ouvi um grito de susto, que não foi dele, e gargalhadas. Aconteceu o seguinte: quando a auxiliar tirou a fralda e pegou no pinto dele para colocar a sonda, João Victor mandou um jato de mijo em cima dela com direito a algumas gotículas para a pediatra. A outra situação foi aquela que já mencionei aqui no blog, quando ele estava para receber alta e detectaram um derrame no miocárdio que, graças a habilidade dele de pular fogueira, foi tratado e resolvido com medicamentos, quando tudo se encaminhava para uma solução cirúrgica.

Mas recentemente, aqui em Pernambuco, ele livrou-se mais uma vez de sofrer um suplício. Foi numa coleta de sangue para seus exames de rotina. Nós fomos ao CERPE de Goiana, porque lá sempre pegavam a veia dele sem dificuldade na primeira tentativa. Pegavam. Dessa vez foram três furadas, poucas gotas de sangue colhido, maior parte dele coagulado. Depois de chamar um auxiliar do Hospital Memorial, que conseguiu umas poucas gotas de sangue, senhora do laboratório pediu pra gente voltar no dia seguinte para coletar o resto do material. Disse que um médico do Memorial coletaria o sangue de João Victor direto da artéria, já que não estavam conseguindo pegar pelos vasos capitalares. Fiquei curioso porque ela deixou claro que só o médico podia fazer esse tipo de coleta. Em casa, Valéria me lembro que no HCor chegaram a cogitar fazer esse tipo de coleta para medir a saturação de João Victor, que foi descartado pela cardiologista por ser tão doloroso ao ponto de poder provocar uma descompensação clínica.

Foi por causa dessa lembrança de Valéria que resolvi buscar uma alternativa à coleta arterial. Liguei para a central do CERPE para me informar se eles tinham alguma unidade especializada em atendimento infantil. Disseram que sim, no Recife. A moça que me atendeu na central ainda recomendou uma funcionária em particular, Graça, que, conforme comprovamos, tem muita habilidade em lidar com criança. Fomos lá. Graça (essa ai, no pirmeiro plano na foto deste post), cantou canções africanas pra João Victor e depois colheu o sangue na forma convencional, numa única e quase indolor picada.

Voltei ao CERPE de Goiana e, sutilmente, falei pra moças de lá não recomendarem mais essa coleta via canal arterial. Disse pra elas que há casos em que, devido a dor tão intensa, há crianças que defecam durante a coleta. Só uma fez um comentário, tentando amenizar a postura adotada, explicando que só o médico é quem faz esse procedimento, não era elas. Mas, raios, quem recomendava não eram elas? Talvez eu volte a ligar para a central do CERPE. Será que eles sabem que em Goiana optam por uma prática extremamente dolorosa na coleta de sangue das crianças que elas não conseguem pegar as veias?
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

CUIDANDO DE TUDO


Estou em débito com meus poucos porémm fieis leitores. Faz tempo que não posto nada aqui, mas tenho minhas razões. Depois de quase 40 dias fora de casa, esses 20 dias após o retorno não foram suficientes, pra mim, para estabelecer uma rotina que me permitissem uma divisão razoável do tempo e, assim, dá conta de todos dos afazeres, inclusive escrever.

Não falta o que fazer. Limpar a casa, preparar os alimentos, dar remédios – nas horas certas, levar pra tomar as vacinas e às consultas médicas no Recife são alguns dos tantos afazeres diários. Além de estar muito mais dengoso do que antes da internação no HCor, João Victor quer ficar no braço o tempo todo. Isso é complicado, principalmente à tarde, quando Valéria sai pra trabalhar e ficou só com ele. É atenção exclusiva e, se ele não dorme, não consigo fazer mais nada. Pior que essa semana ele ainda achou de pegar uma gripe. Até que foi fraquinha, mas nos deixou em estado de alerta porque foi depois da gripe que pegou aos 7 meses que ele descompensou e teve de ser levado para o bloco cirúrgico.

Desde que chegamos, João Victor ainda é o centro das nossas atenções e preocupações. É em função dele que organizamos nosso dia e realizamos nossas tarefas. Para o próprio bem dele isso precisa mudar porque, se não conseguirmos trabalhar e descansar, por exemplo, pode chegar o dia em que não teremos como suprir suas necessidades básicas. Quem nos chamou a atenção para esse fato foi a nova cardiologista dele, Dra. Lúcia Salerno. Enquanto pedíamos dela uma data para a cirurgia de correção total, na primeira consulta, porque no nosso entender, só a depois dela voltaríamos à nossa vida normal, ela nos chamou a atenção para o fato de que ele é down e cardiopatia. A cirurgia vai melhorar seu estado clínico, mas sempre teremos que cuidar dele. Ai, enquanto preparava os encaminhamentos dele para fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, perguntou se a gente tinha alguém nos ajudando nas tarefas domésticas. Com nossa resposta negativa, ela foi franca, de novo, alertando que precisamos de alguém, senão, não conseguiremos conciliar nossas necessidades com as de João Victor.

Ela tem razão. Conciliar o tratamento de João Victor com as tarefas domésticas mais as nossas necessidades de trabalho e estudo é um desafio que precisamos vencer.


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sábado, 24 de janeiro de 2009

ESTAMOS EM CASA


Faz uma semana que chegamos em casa. Já era tempo de dar notícias. Então, lá vão elas.

Andréa conseguiu nos colocar num vôo na sexta-feira (16/01) saindo de Guarulhos às 09 horas a um preço camarada, um milagre, se considerarmos a conjuntura de alta estação, com todo mundo querendo sair de São Paulo para o Nordeste. A viagem foi toda emocionante, desde o deslocamento para o aeroporto, com mega engarrafamento provocado por um assaltante em fuga, passando por turbulências no vôo até a chuva torrencial no Recife que obrigou nosso avião a ficar por quase 15 minutos sobrevoando a cidade até receber autorização para posar. Mas, o importante é que, depois de todas as emoções, chegamos em casa com tudo em ordem.

É muito bom voltar para o lugar da gente. Nossa casa ainda é o melhor lugar para viver. A proximidade física com os amigos, esse aconchego, fortalece a gente. Encontrar Érika e Yeso esperando a gente no aeroporto foi bom demais, porque foram eles que também foram nos deixar lá no dia do embarque e agora, encontrar eles, foi como se eles estivessem dizendo “estávamos o tempo todo desejando a volta de vocês”. Depois, o gesto de Yeso, que nos trouxe para Goiana naquele temporal , que, desde quando avisei que estávamos de alta, disse que poderiam contar com ele a qualquer hora para ir pra casa ou ficar no Recife. Também tiveram os telefonemas de Kátia, Ninha, Paulo. A emoção e o louvor a Deus da irmã Josefa quando nos viu, a alegria dos vizinhos no reencontro. Todo esse acolhimento é como um balsamo alegrando nossa alma.e

Quanto a João Victor, de modo geral, está muito bem. Não temos oxicímetro em casa, mas, pelos sinais visuais, nosso rapaz parece está com excelente oxigenação. Ele está tomando um pequeno coquetel de medicamentos, de fato 4 remédios ao tudo, por enquanto. Nossa preocupação, no momento, é com uma discreta sudorese que ele as vezes apresente, principalmente à noite, acompanhada de uma baixa da temperatura corporal – por volta de 34 Cº . Segunda-feira nós teremos consulta cardiológica e será uma boa oportunidade para tratar disso e de outros detalhes da saúde dele.

Quanto a nossa vida aqui, ela aos poucos vai pegando o ritmo. Valéria ta tentando voltar a trabalhar, eu estou tentando organizar as finanças, consertar coisas, resolver problemas com o plano de saúde (aff, Senhor, misericórdia ), agendar as consultas dele etc.

Preciso arranjar tempo para escrever agradecendo as pessoas pelo apóio que nos tem dado. Impossível fazer menção a todas, porque foram muitas, mas algumas precisam ser citadas de modo enfático porque são um exemplo de vida, que deve ser imitado por todos nós, na medida das nossas possibilidades. Então, na forma adequada, quero oferecer meu tributo a elas.

Aqui já temos a consciência que a vida não vai ser nada fácil até que João Victor faça a correção total e obtenha o resultado esperado do tratamento. Muitas lutas virão, mas estamos fortalecidos pela vitória recente e sabemos que não estamos sós nessa jornada.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

NOSSA LUTA EM SP - HCor ( 13 ) - Vitória!



Agora é oficial. João Victor recebeu alta e já estamos de malas prontas para voltar pra casa.

Depois de 36 dias de internação, meu garoto está novinho em folha.

Escrevo essas breves linhas na casa do meu amigo João Pizysieznig, que nunca me viu mas confiou-nos sua casa desde o dia que chegamos aqui e só agora tivemos a oportunidade de desfrutar dessa cortesia.

Nossa volta só depende da disponibilidade e acessibilidade de vôo para o Recife. Falo de acessibilidade porque o valor das passagens, saindo dessa terra de clima esquisito em direção às praias nordestinas, está exorbitante nesta época. Mas, não se preocupem, logo-logo estaremos ai, na terrinha.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

NOSSA LUTA EM SP - HCor ( 12 ) - Quase de saída

Excelentes notícias! Os que acompanham o tratamento de João Victor devem está lembrados que sua alta foi abortada na semana passada por conta de um ecocardiograma acusando um derrame no pericárdio. Por pouco ele não foi levado de volta ao centro cirúrgico para drenar o líquido que ali se alojara. O cirurgião apostou que aquela quantidade de líquido poderia ser tratada com medicamentos. Apostou e ganhou. João Victor tá limpinho. O resultado do eco foi excelente e tudo indica que amanhã ele terá alta.

Como essa alta ainda não é oficial, não ouso acionar o comitê de recepção para nos aguardar no Recife nesta semana, mas já podemos pensar nisso como algo realizável.

A todos que oraram, rezaram ou torceram pelo resultado que agora temos, além de agradecer, quero dizer que podemos muito quando unimos nossos corações e mentes em favor do bem. Grande lição para todos nós que, apesar de vivermos num tempo de tanta “desperança” , nessas horas aprendemos o valor da amizade, o poder da solidariedade e, principalmente, sentimos o amor de Deus, nosso pai.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

NOSSA LUTA EM SP - HCor ( 11) - Mais um tempo



Na postagem anterior, falei do tal líquido em torno do coração de João Victor e que estávamos no aguardo da conduta a ser adotada pelo cirurgião.

Pois bem: Como o quadro clínico de Joãozinho está excelente, e mais, considerando que ele acabou de sair de um processo cirúrgico e ainda tem uma grande cirurgia pela frente, o Bento optou pelo tratamento com medicamentos e repetição do eco na próxima semana. Caso o derrame do periocárdio ( é o nome horrendo dessa disfunção) persista na mesma quantidade ou seja reduzido neste período, continuarão com os medicamentos para manter o derrame sob controle até o momento da cirurgia corretiva e, na ocasião, ele resolve tudo. Mas, se a quantidade de líquido aumentar de modo a comprometer o estado clínico, o Dr. Bento fará a drenagem imediatamente.

É mesmo de cortar o coração vê-lo no estado de alegria em que se encontrar e pensar em levá-lo, nesse estado, ao bloco cirúrgico. É isso, só que visto por outro ângulo, que está influenciando as decisões da equipe médica. Como eles dizem :” a clínica é soberana”. Assim, como não estão vendo repercussão alguma do derrame no seu estado clínico, preferiram dá uma chance de reação para o seu organismo com ajuda de mais medicação. Eu encaro como uma oportunidade para a ação de Deus, que tanto lhe tem protegido.

O momento agora é de pedir a Deus um milagre que faça esse líquido sumir apenas com medicamentos e, assim, evitamos o processo de drenagem cirúrgica com todas as suas conseqüências, inclusive uma passagem pela UTI.

Algo me diz que esse milagre virá e já sentimos nosso espírito mais aliviado pela esperança de manter o sorriso do nosso rapazinho.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

NOSSA LUTA EM SP - HCor ( 10 ) - Contratempo

Um pequeno contratempo está nos prendendo em São Paulo. Ontem, num eco-cardiograma que rotineiramente se faz na preparação para alta, detectaram a presença de um líquido em volta do coração de João Victor. Esse mesmo problema já tinha sido observado há umas duas semanas atrás, mas era numa quantidade tão pequena que os médicos resolveram tratar com medicamento. Só que, agora, perceberam que os medicamentos não surtiram o efeito desejado e o líquido, em vez de reduzir-se, parece ter aumentado.

Geralmente, esse acúmulo de líquido deteriora o estado clínico do paciente chegando mesmo a provocar dores. Mas não é o caso de João Victor. Como sempre, ele adora confundir a equipe médica. Seu estado clínico é pra lá de ótimo, até mesmo a saturação do oxigênio, que nos vinha preocupando, tem melhorado a cada dia e em vez de sinais de dor, ele só dá sinais de alegria, rindo de tudo que se passa diante dos seus olhos.

Eu e Valéria é que estamos uma pilha de nervos. Não basta o pessoal aqui nos falar que isso é comum acontecer no pós-operatório e que o tratamento é muito simples , nós gostaríamos de não ter de passar por mais esse estresse. Entretanto, dos males o menor: ainda bem que o diagnóstico ocorreu enquanto estamos aqui. Seria muito mais traumático e complicado descobrir e tratar disso lá em Goiana ou mesmo no Recife. Nosso consolo é pensar: “ainda bem que foi aqui”.

Quanto ao tratamento há três opções: nova medicação, pulsão ou a colocação de um dreno. A decisão será do cirurgião dele, Dr. Bento. Ele agora está operando outra criança mas já pediu pra ver o filme do eco de João Victor e, no final da tarde, deve vir conversar conosco para explicar a conduta que irá adotar. Até lá, haja coração.
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sábado, 3 de janeiro de 2009

NOSSA LUTA EM SP - HCor ( 9 ) - esperando alta



João Victor está clinicamente pronto para receber alta. Seus exames estão normais, a cirurgia está funcionando, mas a saturação ainda é um problema enigmático. O enigma consiste no fato dele não apresentar nenhum sinal de cianose mesmo nos momentos em que a medida da sua saturação beira a casa dos 60%. Ou seja, o oxicímetro parece não refletir a realidade da oxigenação do corpo dele, pois, enquanto a máquina diz que ele ta à beira de uma crise de insuficiência de oxigênio, na observação clínica vê-se uma criança sorridente, sem o menor desconforto respiratório.

Também intriga a instabilidade dos números. Às vezes, a medição acusa 72% na mão e no pé registra 88%, quando o esperado, tradicionalmente, é que tenha-se uma saturação maior nos membros superiores , em razão da proximidade com o coração. Mas nele ocorre o contrário. Chegaram mesmo a colocar dois aparelhos, simultaneamente, em suas mãos e, para espanto geral, os números foram discrepantes, um valor na mão esquerda e outro na direita.

A equipe médica tem nos dito que, nesse situação, devemos levar em contar, primeiro, que a medição do oxicímetro é muito sensível e pode apresentar imprecisões em crianças pequenas, como João Victor, quando a criança transpira, quando a criança se movimenta etc. Por isso eles estão guiando-se mais pelos sinais da observação clínica. Costuma repetir a frase: “a clínica é soberana”. Mesmo assim, estamos um pouco apreensivos com esses índices.

Mas, até eu e Valéria, percebemos que seu estado é muito melhor do que aquele anterior a cirurgia.

Outra coisa que nos foi advertido, é que a cirurgia que João Victor fez trata-se de uma paliativa com vistas a melhora do seu estado clínico. Portanto, os problemas decorrentes da sua cardiopatia continuam (especialmente os do DSAVA total, que mistura o sangue arterial com o venoso dentro do coração). Quer dizer, então, que o sangue que vai para o seu pulmão pode, às vezes, ter baixos teores de oxigênio.

Se ele receberá alta ou não na segunda ou terça-feira não sabemos. Sabemos que o parecer da equipe clínica é pela a alta para que ele se fortaleça para, daqui a uns quatro meses, enfrentar a correção total e, principalmente, para que os pai possam se curar do estresse resultante do turbilhão de emoções em que se viram envolvidos nesses dias de HCor. Entretanto, a palavra final será do cirurgião. Ele, Dr. Bento, é que, após analisar todas as variáveis, decidirá se João Victor volta para casa agora e depois retorna para a correção total ou se resolve tudo agora, nos próximos dias.

Que Deus lhe dê sabedoria para escolher o melhor para o nosso rapazinho.

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